Acabada a Copa do Mundo, a Rússia deixou de ser o palco do futebol e abriu as portas para as bicicletas com a disputa da quarta edição da Red Bull Trans Siberian Extreme, a prova de ciclismo por etapas mais longa do mundo, que teve início no dia 24/7. E se com a bola o Brasil não chegou muito longe, com a bike Marcelo Florentino Soares, o Mixirica, mais uma vez levou a medalha de bronze ao percorrer os 9103 quilômetros, entre Moscou e Vladivostok, em 25 dias de competição a uma média de 26,9 km/h. O evento é dividido em 15 etapas que tem entre 260 e 1.372 quilômetros e passa por 8 fusos horários e 5 zonas climáticas. Além de Marcelo, participam da prova mais cinco atletas da Rússia, Alemanha, Dinamarca, Espanha e Índia. O vencedor foi Pierre Bischoff, com 315h45min26 seg pedalados. Marcelo pedalou 346h26min.

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Chegada em Vladivostok (Pavel Sukhorukov / Red Bull Content Pool)

“Todas as etapas desta competição são difíceis. Não tem moleza. Em todas você apanha. Mesmo nas etapas mais curtas. Os outros ciclistas são mais novos e estavam com muita velocidade, o que me destruiu. No início a briga estava bem acirrada, mas, chegando na metade, as posições foram se definindo e aí ficou mais tranquilo. A briga forte mesmo este ano foi com as estradas e com o clima. Fazia muito frio e pegamos muita chuva. O trânsito também é muito louco, com caminhões passando perto, estradas em reforma, com longos trechos de terra e pedra, que furavam o pneu”, disse ele.

O apoio aos ciclistas vem da organização, que fornece toda a estrutura necessária com mecânicos, médicos, cozinheiros, etc. Cada atleta pode levar um time de apoio, que vai acompanhando de perto nas vans fornecidas pela organização.

Nestas quatro edições da Red Bull Trans Siberian Extreme 10 ciclistas conseguiram chegar ao final e Mixirica é o único que fez isso três vezes. Nas duas participações anteriores, em 2016 e 2017, ele também ficou com a terceira colocação.

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(Pavel Sukhorukov / Red Bull Content Pool)

Apesar do excelente resultado, o caminho até a Rússia não foi fácil para ele. Sem patrocínio e quase sem apoio, o paulistano de 46 anos foi para a Europa a primeira vez com apenas R$ 50,00 no bolso e, sem roupa apropriada para o frio do verão russo, que por vezes chegava a temperaturas negativas na madrugada, acabou ganhando do hotel que patrocinava o evento o uniforme para competir. A bicicleta que ele levou para a Rússia também não era apropriada e a organização emprestou o equipamento para que ele chegasse até o final.

Em sua segunda participação na prova, ele conseguiu no Brasil uma bicicleta emprestada e, depois de catar latinhas na rua, trabalhar na ciclofaixa e como bike courrier, com a ajuda de amigos e familiares pôde levar uma amiga para ajudar no apoio durante a corrida.

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Mixirica descansa após a quarta etapa entre Perm e Ekaterimburgo (Pavel Sukhorukov / Red Bull Content Pool)

Agora, nesta terceira participação ele contou com o apoio da Bicicletaria Faria Lima, que emprestou duas bicicletas da marca Soul, do Pneus Tannus, que doou material para treino, e da Ito Odontologia, que cuidou da sua saúde bucal, além, é claro, dos amigos e familiares, que fizeram vaquinha e rifa para que a viagem fosse possível.

Brasil de Norte a Sul

O amor pela bicicleta vem desde pequeno, quando Mixirica fugia de casa para ir andar no Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista. Aos 13 anos desceu a serra do Mar com destino à Santos e viu que o esporte poderia mudar a sua vida. De lá para cá as aventuras ficaram mais longas e tinham como destino outros estados como Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Seu sonho é participar da Race Across America, uma competição que atravessa os Estados Unidos da costa oeste à costa leste, mas antes que conseguisse o dinheiro necessário para esta prova, surgiu em sua vida a Red Bull Trans Siberian Extreme. Os organizadores ficaram sabendo que em 2015 ele havia batido o recorde de travessia entre o Monte Caburaí até o Chuí. Foram 10.332 quilômetros percorridos em 57 dias, 22 dias a menos que o antigo recorde, e daí surgiu o convite para o seleto grupo de ultraciclistas que disputariam a competição russa em 2016.

 

 

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